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O Heavy Metal…ah o heavy metal, aquele gosto musical compreendido por muitos como apenas um som barulhento e apreciado somente por jovens insanos. Um gênero conhecido pelo comportamento fanático de seus adoradores, que enlouquece milhões de pessoas pelo mundo afora, gosto musical que foi marginalizado por muito tempo, censurado, condenado, uma música ouvida por uma minoria.

Geralmente, vemos matérias estereotipadas e feitas para o público comum quando pegamos um jornal ou revista de grande circulação.
Ainda há uma visão banal mantida viva por grande parte da mídia e muitas lendas ao redor. Foi pensando nisso que o canadense Sam Dunn produziu e dirigiu o documentário “Metal: A Headbanger’s Journey”, lançado em 2005.

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Sam é um apaixonado por heavy metal desde seus 12 anos de idade, citando como sua banda favorita Iron Maiden e Sepultura (sim, os brazilians). Ele cursou antropologia simplesmente pela intenção de estudar o comportamento social e aos 31 anos, após pesquisar sobre outras tribos, decidiu voltar para aquela que mais se identifica: o Heavy Metal e suas diversas vertentes.

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O canadense mergulha em uma jornada com a finalidade de descobrir o que faz com que esse gênero musical seja capaz de enlouquecer e fascinar um número tão grande de pessoas, bem como influenciar tanto em seu comportamento.
Sam viaja pelos States e por países europeus, passando pelo festival “Wacken Open Air”, no interior da Alemanha, com o objetivo de buscar as raízes, entender o comportamento dos headbangers.

Ele consegue fazer um excelente documentário sem perda de tempo, do tipo classificar uma banda como boa ou não ou mostrar suas opiniões e gostos. São expostos depoimentos de sociólogos, produtores, fãs e nomes importantes da música como Tony Iommi (Black Sabbath), Lemmy Kilmister (Motörhead), Slipknot, Alice Cooper, Bruce Dickinson (Iron Maiden), Rob Zombie, Ronnie James Dio e Dee Snider (Twisted Sister).

O documentário foi muito bem estruturado, partindo do “nascimento do estilo” (discussão sem fim, mas enfatizando o Black Sabbath e seus riffs “encapetados” rs ). Foi divido por assuntos que traçam a árvore genealógica do Metal e aborda questões de cultura, sexualidade, violência e do satanismo no gênero. E foi assim, pelas palavras do nosso saudoso Ronnie James Dio descobri a história por trás do famoso chifrinho \,,/, que o próprio dizia ter inventado. Seria herança de sua avó (que o fazia para espantar o mau-olhado).

Vale ressaltar também outros pontos altos do documentário, como a cultura e o black metal na Noruega (lembrando os fatos que ocorreram no início da década de 90), a censura que o Twisted Sister enfrentou por conta de sua música, as declarações de Tom Araya (Slayer) sobre religião, e até a moda do glam/rock, onde foi abordada a questão sexual. Lá estavam os caras fazendo show com calças apertadíssimas, roupas bem reveladoras e toda uma atitude sensual para um público 90% composto por homens. Mas se sentiam fortes, vigorosos, passando essa impressão para tal público também.

Falando sobre sexualidade, quem imaginava que Rob Halford do Judas Priest era homossexual, mesmo usando aquelas roupas duvidosas? Ninguém né? E quanto ao Gaahl (ex-Gorgoroth)? Não né? Pelo menos eu nunca imaginei que ele poderia ser gay. rs

Ronnie James Dio (R.I.P) e o lendário

Ronnie James Dio (R.I.P) e o lendário “chifrinho”

Enfim, são muitas coisas para escrever, ficaria aqui até amanhã só descrevendo, mas espero que quem ainda não assistiu possa fazê-lo. O documentário é imprescindível para qualquer fã do Metal. Eu particularmente pareço como uma criança feliz quando assisto esses tipos de filmes/documentários. Sim, me divirto, me emociono, é tudo muito lindo de se ver.
Confesso que uma lágrima rolou nos minutos finais da gravação, quando imagens feitas do Sam em pleno o Wacken Open Air foram concluídas com as seguintes palavras:

“Aqui estamos, 35 anos após o Sabbath tocar pela primeira vez a nota diabólica, e a cultura do metal continua florescendo. Uma nova geração de fãs apareceu, e a velha guarda está ainda mais forte. Mas fiz essa jornada para responder uma questão: Por que o Heavy Metal têm sido constantemente estereotipado, repudiado e condenado? O que ficou claro é que o metal enfrenta que preferimos ignorar, celebra o que frequentemente negamos e delicia-se com aquilo que mais tememos. E é por isso que o metal sempre será uma cultura de excluídos.
Desde os meus 12 anos tenho de defender meu amor pelo heavy metal contra aqueles que dizem ser uma forma menos valiosa de música. Minha resposta é que você sente ou não. Se o metal não lhe dá aquela incrível sensação de poder e não faz com que seu cabelo fique de pé, talvez nunca o compreenda. E quer saber mais? Tá tudo bem! Porque, a julgar pelos 40.000 “metaleiros” ao meu redor, estamos muito bem sem você.”

Confiram o trailer do documentário:

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