Hospital de Câncer de Barretos, nossa maior joia

Acredito que muitas pessoas devem conhecer ou ao menos ter ouvido falar do Hospital de Câncer de Barretos. Eu particularmente tenho um gratidão eterna com essa instituição (contarei sobre em outro post). Considero esse hospital nossa maior joia, e devemos cuidar com todo carinho dessa preciosidade.

Barretos /SP – 1960 – O único hospital especializado para tratamento de câncer localizava-se na cidade de São Paulo e os pacientes que iam até o hospital São Judas, eram, em sua maioria, previdenciários de baixa renda, com alto índice de analfabetismo. Por isso, tinham dificuldades de buscar tratamento na capital, por falta de recursos, receio das grandes cidades, além da imprevisibilidade de vaga para internação.

No ano de 1967, o médico humanista Paulo Prata, fundador do Hospital São Judas, criou a Fundação Pio XII que passou a atender pacientes portadores de câncer.

Em virtude da grande procura de pacientes e o pequeno hospital não comportar todo crescimento, Paulo Prata, idealizador e fundador, recebeu a doação de uma área na periferia da cidade e propôs a construção de um novo hospital que pudesse atender às progressivas necessidades.

Esta pequena instituição contava com apenas quatro médicos: Paulo Prata, Scylla Duarte Prata, Miguel Gonçalves e Domingos Boldrini. Eles trabalhavam em tempo integral, com dedicação exclusiva, caixa único e tratamento personalizado. Filosofia de trabalho que promoveu o crescimento da entidade.

ANOS 80 E 90

Em 1989, Henrique Prata, filho do casal de médicos fundadores do hospital, abraça a ideia do pai e com a ajuda de fazendeiros da cidade e da região realiza mais uma parte do projeto. O pavilhão Antenor Duarte Villela, onde funciona o ambulatório do novo hospital é inaugurado em 6 de dezembro de 1991.

Vista aérea do Hospital de Câncer de Barretos
Vista aérea do Hospital de Câncer de Barretos

Dando sequência ao projeto que vem ganhando grandes proporções com a ajuda da comunidade, de artistas, da iniciativa privada e com a participação financeira governamental, outras áreas do hospital estão sendo construídas para atender via SUS, os pacientes com câncer.

Uma maneira que o hospital encontrou de homenagear estas pessoas que contribuem com esta causa é colocar nos pavilhões os nomes dos artistas.

UNIDADE DE JALES

A unidade de Jales do Hospital de Câncer de Barretos foi inaugurada em junho de 2010. O prédio foi construído a 250 km de Barretos com o objetivo de ampliar a prestação de serviço assistencial e facilitar o acesso ao tratamento para os pacientes que residem em locais mais próximos de Jales. Com uma equipe que conta com 35 médicos e mais de 300 colaboradores, a Unidade já realizou mais de 870 mil atendimentos, tendo atualmente uma média de mil atendimentos/dia, 100% via SUS.

Os pacientes originam-se de cerca 550 cidades distribuídas entre os estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal.

Mantendo os mesmos padrões de qualidade presentes na unidade de Barretos, o hospital possui atendimento ambulatorial, oncologia clínica, radioterapia, diagnóstico por imagem, centros cirúrgicos, endoscopia, colonoscopia e exames laboratoriais, além de contar com unidades de internação e um centro de terapia intensiva.

Atualmente, a unidade possui uma estrutura de cerca de 14.000 m² distribuídos em quatro pavilhões, sendo eles: “Grupo Petrópolis”, “Bruno & Marrone”, “Governador Geraldo Alckmin” e “Eunice e Zico Diniz”.

Hospital de Câncer de Barretos - Unidade  Jales
Hospital de Câncer de Barretos – Unidade Jales

DOAÇÕES

Ajudem o Hospital de Câncer de Barretos. Ajudar faz bem! 🙂
As doações podem ser feitas através do site oficial da instituição. Basta clicar  aqui e escolher a melhor forma para doar.

Recepção unidade de Jales
Recepção unidade de Jales
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Prazer, meu nome é Bruna e tenho uma ‘doença’ chamada desemprego

Sim, assumo completamente que estou sem um job há exatos três meses e adquiri uma “doença” chamada desemprego. Explicarei mais abaixo porque resolvi usar esse termo.

Vivo em uma cidade pequena, com uma população estimada em 48.700 habitantes, localizada bem no interiorzão do estado de São Paulo, praticamente na divisa com o Mato Grosso do Sul. Essa cidade tem nome: JALES.

Sempre fui uma pessoa que estudou desde pequena (com quatro aninhos eu já estava na escola) porque essa era a única forma de conquistar algo na vida. Sou de família humilde e minha mãe sempre batalhou para que eu pudesse concluir meus estudos.

Pois bem, fiz jardim de infância, ‘prézinho’, ensino fundamental e ensino médio tudo em escolas públicas. Estudei no extinto Cefam (Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério) público também, e ainda ganhávamos um “salário” porque estudávamos em tempo integral. Depois do Cefam fiz um ano de enfermagem em uma faculdade particular, mas com meia bolsa estudos pelo Prouni (Programa Universidade para Todos). Eu trabalhava em uma confecção de roupas das 7h às 18h (segunda à sexta) e ganhava R$200,00 por mês. Sim, quase escravo não? Mas era para pagar a outra metade da mensalidade da facul. Óbvio que minha mãe ajudava, pois eu não conseguiria. Não concluí a enfermagem por conta de problemas de saúde, tendo assim que pagar pelo tratamento. Bye bye faculdade.

Não desisti. Prestei o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) novamente e obtive uma nota alta, principalmente na redação. Foi então que decidi tentar uma bolsa de estudos para o curso de Comunicação Social/Jornalismo em uma faculdade particular de uma cidade perto da minha. Bingo! Consegui uma bolsa 100%. Me graduei em 2012.

Além disso fiz vários cursos paralelos e neste ano iniciei Gestão Empresarial na Fatec Jales (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo).

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A frustração da minha vida começou quando decidi trabalhar em minha área de formação, nada mais óbvio não? Aí que você se engana!

Jales é uma cidade muito estranha. Aqui você tem duas opções: se sujeitar a trabalhar na área e ganhar uma mixaria, que nem um estagiário de uma cidade maior se submeteria, ou ter o tão falado e famoso Q.I (Quem Indica). Sim!!! Aqui as coisas funcionam dessa forma.

Nem é tão importante você ter uma formação superior, mas se você for filhinho de papai, conhecido de fulano ou cicrano, benhêêê você está dentro! O emprego é seu!

Isso realmente me deixa muito chateada, pois estudei, me preparei, e nem ao menos consigo um emprego na cidade em que nasci. É desanimador você ver pessoas que não entendem coisa nenhuma da profissão, que não são formados ou não tem ao menos estudo, ocupando um lugar que por direito poderia ser seu. Claro, se as coisas fossem feitas da maneira que deveria ser.

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Muitos ainda me perguntam por que eu não vou embora de Jales e tentar algo em uma cidade maior. Tenho meus motivos, família! Os amigos mais chegados sabem do que estou falando. Não é nada fácil, a razão é muito forte.

Falando neles, os “amigos”, somente desempregado você descobre quem são seus verdadeiros. É incrível como os “amigos” desaparecem quando você está passando por um momento complicado. Enquanto você está trabalhando, ganhando seu dinheiro, tu serve para eles. Experimenta ficar sem emprego, a maioria some, somente os mais leais permanecem. Os verdadeiros posso contar nos dedos de uma mão e citar nomes , Fernanda, Vanessa, Cris e Paty.

Não sei qual é o real temor dos supostos amigos , será que estão com medo de ter que pagar minhas contas??? Hahahaha! Me poupe, nunca ninguém precisou pagar nada e não será agora.

Esse fato me deixa triste sim, porque vemos que nossa amizade não tem valor nenhum. Vale sim, quando você está bem, tem dinheiro e pode sair todos os dias por aí gastando com eles ou até para eles.

Estou doente, tenho desemprego, acho que é contagioso!

Tudo o que eu preciso (eu e muitos outros na mesma situação) é de somente uma oportunidade, para mostrar o quanto posso ser útil e o posso agregar. Mas não tenho “sobrenome” e nem sou filha de alguém “conhecido”, isso diminui 100% minhas chances de conseguir algo por aqui.

Não sou hipócrita em pensar que isso acontece apenas em minha cidade, mas como vivo aqui, sei o que se passa. Jales é realmente uma cidade muito estranha…

As 10 melhores cidades do mundo para viver 2014

Um novo ranking elaborado pela unidade de Inteligência da The Economist mostra quais são as cidades no mundo com as melhores condições de vida. Os países Austrália e Canadá dominam: quatro cidades australianas e três canadenses no top 10. Não há nenhuma brasileira.

As cidades foram avaliadas levando em consideração 30 fatores qualitativos e quantitativos em cinco grandes categorias: estabilidade; saúde; cultura e meio ambiente; educação; e infra-estrutura.

As notas variam de 1 a 100, em que 1 é considerado intolerável e 100 o ideal.

Nota Descrição
80-100 Há poucos (ou nenhum) desafios para os padrões de vida
70-80 O dia-a-dia é bom em geral, mas alguns aspectos da vida podem acarretar problemas
60-70 Fatores negativos tem impacto na vida cotidiana
50-60 Qualidade de vida é limitada
50 ou menos A maioria dos aspectos da vida são severamente restringidos

1º mELBOURNE – AUSTRÁLIA

Nota geral = 97,5

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2º VIENA – ÁUSTRIA

Nota geral = 97,4

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3º VANCOUVER – CANADÁ

Nota geral = 97,3

Vancouver,_BC


4º TORONTO – CANADÁ

Notal geral = 97,2

toronto


5º ADELAIDE – AUSTRÁLIA

Nota geral = 96,6

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6º CALGARY – CANADÁ

Notal geral = 96,6

calgary


7º SIDNEY – AUSTRÁLIA

Nota geral = 96,1

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8º HELSINKI – FINLÂNDIA 

Nota geral = 96

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9º PERTH – AUSTRÁLIA 

Notal geral = 95,9

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10º AUCKLAND – NOVA ZELÂNDIA 

Notal geral = 95,7

Auckland city, Westhaven Marina and harbour view, Auckland, New Zealand

Global Metal: sete países, três continentes e uma só tribo

Curiosa por natureza e amante da boa música (rock’n’roll e heavy metal) sempre fiquei imaginando como seria ser fã de metal em outros locais no mundo, especificamente em países com culturas totalmente diferentes da nossa.

E foi assistindo ao documentário “Global Metal” (2007) dirigido pelo canadense Sam Dunn (falei sobre Sam no post anterior) que pude compreender um pouco de como o heavy metal é visto e aceito em países que não tem tradição no estilo. O filme mostra que o metal tem uma história muito interessante e contém subgênereos musicais que são responsáveis pelo sucesso de algumas das melhores bandas do mundo. Mas não somente isso, existe toda uma comunidade de metalheads pelo mundo que transpõe um estilo musical que une pessoas de pilares completamente diferentes.

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Após o sucesso de seu primeiro documentário: Metal: A Headbanger’s Journey (2005) (descrito no post anterior), Sam recebeu muitas mensagens de fãs de todas as partes do globo e descobriu que ‘existe’ Heavy Metal em locais onde nem imaginava. Ele visita sete países que não são tão conhecidos por sua devoção ao metal: o Brasil, Japão, China, Índia, Israel, Indonésia e Emirados Árabes.

Entrevistando fãs e bandas locais, Sam percebeu que diferentemente de muitos tipos de música, o metal criou uma identidade mundial para pessoas que desejam um som mais pesado, mais sincero e, muitas vezes, mais polêmico.

E por onde começa a jornada do canadense?Sim, pelo Brasil, que entre os países digamos, exóticos, visitados por ele, é o mais bem representado no cenário do metal internacional. Devemos isso ao Sepultura. Inclusive, Sam mostrou que uma de suas bandas preferidas, além do Iron Maiden, é a nossa brazilian Sepultura.

Brasil

Em terras tupiniquins o documentarista e sua equipe conversam com Carlos Lops, vocalista da Dorsal Atlântica, que explica que o processo de “metalização” do Brasil ganhou força no país no final da ditadura, em 1985, quando o acesso a instrumentos e músicas internacionais foi facilitado. Em suma, é que a democracia brasileira chegou junto com heavy metal. O primeiro Rock in Rio, em 1985, reuniu mais de um milhão de pessoas que nenhum fã de sertanejo sabia que existia. O evento foi mais do que um amontoado de fãs…foi a liberdade de expressão de uma minoria.

A equipe de Sam esteve no Rio de Janeiro e São Paulo e conversaram também com Rafael Bittencourt (Angra), Toninho (fã-clube do Sepultura), Eric de Haas (Dynamo Pro). Completam o capítulo brasileiro entrevistas com Max Cavalera, Adrian Smith e Dave Murray (Iron Maiden).

Sam e Max Cavalera
Sam e Max Cavalera

Japão

Do solo brasileiro, a equipe partiu para o Japão, com intuito de mostrar o heavy metal no outro lado do mundo.Tom Araya, Lars Ulrich (Metallica) e Kerry King (Slayer), contam suas experiências na terra do sol nascente. Contudo, é Marty Friedman (ex-Megadeth) quem se destaca mostrando as peculiaridades do metal nipônico, já que ele se tornou uma estrela no Japão.

Índia

Próxima parada: Índia. A cena do metal por lá é muito principiante. Até o período de filmagens de Global Metal, nenhuma grande banda havia tocado lá (no final do filme, no entanto, a equipe registra o primeiro show do Iron Maiden no país). Senti que os indianos enxergam no heavy metal algo parecido com o que os brasileiros pareciam sentir no período pós ditadura: não somos obrigados a gostar de tudo que está na TV e fazer exatamente o que a sociedade quer que façamos.

China

Apesar da China ter começado a se abrir na década de 90 para a cultura ocidental, ainda é bem fechado para o que vem de fora. Porém a questão é: como o heavy metal chegou ali? É muito interessante entender a inserção do metal em uma sociedade tão restrita, mas que não conseguiu se manter fechada a ponto de evitar que a música ocidental transpassasse suas barreiras.

Indonésia

Para tudo! Vivendo, aprendendo e a Indonésia te surpreendendo! Confesso que fiquei surpresa com o pequeno país no sudeste asiático onde as coisas são mais abertas. Com a maior população muçulmana do mundo, uma história ditatorial forte e ainda assim, ao contrário da Índia e da China, já recebeu algumas das maiores bandas de metal. Em 1992 o Sepultura esteve por lá e o Metallica no ano seguinte. Contudo uma grande confusão com vários feridos durante o show da banda de James Hetfield na primeira metade da década de 90 0fez com que os shows de Heavy Metal fossem proibidos no país.

Indonésia: metaleiro na sinagoga usando camiseta de banda
Indonésia: metaleiro na sinagoga usando camiseta de banda

Uma das frases que marcou foi inclusive a do jovem indonésio na foto acima, quando questionado sobre religião. Eis o que ele disse: “Metal é para sempre, para toda vida. Faça amigos, ouça a música, sinta a vibração, é só pela vida, mas religião é minha relação particular com Deus”.

Israel

Lá os metalheads não lidam tanto com o ódio por parte do governo, mas sim com o ódio que outros sentem deles. O heavy metal tornou-se uma escapatória, uma forma de ensinar a galerinha nova sobre os horrores do holocausto incorporando sua própria história controversa no estilo musical.

Emirados Árabes

Essa foi uma das passagens do documentário que mais me surpreendeu. A última parada do documentarista e sua equipe foi em Dubai, onde aproveitaram a realização do “Desert Rock Festival”, para conversar com metalheads de outros países, como no caso, o Irã. Sam conhece metaleiros iranianos, que lhe relatam a repressão sofrida por parte da polícia da região, que proíbe a música, as camisetas de bandas, os cabelos compridos e qualquer coisa relacionada com o metal, pois acreditam ter ligação com satanismo. Mas em países como o Irã, a entrada da cultura ocidental não existe.

Dubai, Emirados Árabes: país tem uma grande para a cultura ocidental
Dubai, Emirados Árabes: país tem uma grande abertura para a cultura ocidental

Perto da coibição sofrida pelos iranianos, que chegaram a ser presos, agredidos e até forçados a cortarem seus cabelos, chega a parecer bobagem o que os fãs do gênero enfrentam por causa do preconceito aqui no ocidente.

É extremamente interessante como cada sociedade insere no metal uma parte de sua história. No Japão, por exemplo, as pinturas no rosto, como as dos integrantes do Kiss, lembram muito o teatro kabuki, da cultura nipônica. Na china, o cabelo comprido dos metaleiros é associado aos guerreiros. É como se cada cultura traduzisse para si o que espera e quer que o metal signifique.

É óbvio que há Heavy Metal em lugares que sequer foram mencionados, como países do continente africano, assim como existe muito mais bandas em cada país visitado do que as mostradas no documentário. Temos que levar em conta que nenhum filme conseguirá mostrar em sua totalidade tudo o que o tema representa. Mas se eu fosse você não deixaria de conferir essa joia de documentário.

Inteligente, conciso e sim, emocionante. Não somente fãs de heavy metal devem assistir Global Metal, mas, principalmente, todos aqueles que criticam, julgam, sem ao menos ter o mínimo de conhecimento do que esse estilo musical significa.

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Pitaco da blogueira: Realmente cheguei à conclusão de que o heavy metal está presente no mundo inteiro, é conhecido em cada cantinho desse planeta. Onde quer que você vá, sempre vai ter alguém vestindo uma camiseta do Iron Maiden.
Seria a Donzela de Ferro a banda mais conhecida e com  mais fanáticos nesse mundão? rsrs

Confira abaixo o trailer de Global Metal: