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Curiosa por natureza e amante da boa música (rock’n’roll e heavy metal) sempre fiquei imaginando como seria ser fã de metal em outros locais no mundo, especificamente em países com culturas totalmente diferentes da nossa.

E foi assistindo ao documentário “Global Metal” (2007) dirigido pelo canadense Sam Dunn (falei sobre Sam no post anterior) que pude compreender um pouco de como o heavy metal é visto e aceito em países que não tem tradição no estilo. O filme mostra que o metal tem uma história muito interessante e contém subgênereos musicais que são responsáveis pelo sucesso de algumas das melhores bandas do mundo. Mas não somente isso, existe toda uma comunidade de metalheads pelo mundo que transpõe um estilo musical que une pessoas de pilares completamente diferentes.

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Após o sucesso de seu primeiro documentário: Metal: A Headbanger’s Journey (2005) (descrito no post anterior), Sam recebeu muitas mensagens de fãs de todas as partes do globo e descobriu que ‘existe’ Heavy Metal em locais onde nem imaginava. Ele visita sete países que não são tão conhecidos por sua devoção ao metal: o Brasil, Japão, China, Índia, Israel, Indonésia e Emirados Árabes.

Entrevistando fãs e bandas locais, Sam percebeu que diferentemente de muitos tipos de música, o metal criou uma identidade mundial para pessoas que desejam um som mais pesado, mais sincero e, muitas vezes, mais polêmico.

E por onde começa a jornada do canadense?Sim, pelo Brasil, que entre os países digamos, exóticos, visitados por ele, é o mais bem representado no cenário do metal internacional. Devemos isso ao Sepultura. Inclusive, Sam mostrou que uma de suas bandas preferidas, além do Iron Maiden, é a nossa brazilian Sepultura.

Brasil

Em terras tupiniquins o documentarista e sua equipe conversam com Carlos Lops, vocalista da Dorsal Atlântica, que explica que o processo de “metalização” do Brasil ganhou força no país no final da ditadura, em 1985, quando o acesso a instrumentos e músicas internacionais foi facilitado. Em suma, é que a democracia brasileira chegou junto com heavy metal. O primeiro Rock in Rio, em 1985, reuniu mais de um milhão de pessoas que nenhum fã de sertanejo sabia que existia. O evento foi mais do que um amontoado de fãs…foi a liberdade de expressão de uma minoria.

A equipe de Sam esteve no Rio de Janeiro e São Paulo e conversaram também com Rafael Bittencourt (Angra), Toninho (fã-clube do Sepultura), Eric de Haas (Dynamo Pro). Completam o capítulo brasileiro entrevistas com Max Cavalera, Adrian Smith e Dave Murray (Iron Maiden).

Sam e Max Cavalera

Sam e Max Cavalera

Japão

Do solo brasileiro, a equipe partiu para o Japão, com intuito de mostrar o heavy metal no outro lado do mundo.Tom Araya, Lars Ulrich (Metallica) e Kerry King (Slayer), contam suas experiências na terra do sol nascente. Contudo, é Marty Friedman (ex-Megadeth) quem se destaca mostrando as peculiaridades do metal nipônico, já que ele se tornou uma estrela no Japão.

Índia

Próxima parada: Índia. A cena do metal por lá é muito principiante. Até o período de filmagens de Global Metal, nenhuma grande banda havia tocado lá (no final do filme, no entanto, a equipe registra o primeiro show do Iron Maiden no país). Senti que os indianos enxergam no heavy metal algo parecido com o que os brasileiros pareciam sentir no período pós ditadura: não somos obrigados a gostar de tudo que está na TV e fazer exatamente o que a sociedade quer que façamos.

China

Apesar da China ter começado a se abrir na década de 90 para a cultura ocidental, ainda é bem fechado para o que vem de fora. Porém a questão é: como o heavy metal chegou ali? É muito interessante entender a inserção do metal em uma sociedade tão restrita, mas que não conseguiu se manter fechada a ponto de evitar que a música ocidental transpassasse suas barreiras.

Indonésia

Para tudo! Vivendo, aprendendo e a Indonésia te surpreendendo! Confesso que fiquei surpresa com o pequeno país no sudeste asiático onde as coisas são mais abertas. Com a maior população muçulmana do mundo, uma história ditatorial forte e ainda assim, ao contrário da Índia e da China, já recebeu algumas das maiores bandas de metal. Em 1992 o Sepultura esteve por lá e o Metallica no ano seguinte. Contudo uma grande confusão com vários feridos durante o show da banda de James Hetfield na primeira metade da década de 90 0fez com que os shows de Heavy Metal fossem proibidos no país.

Indonésia: metaleiro na sinagoga usando camiseta de banda

Indonésia: metaleiro na sinagoga usando camiseta de banda

Uma das frases que marcou foi inclusive a do jovem indonésio na foto acima, quando questionado sobre religião. Eis o que ele disse: “Metal é para sempre, para toda vida. Faça amigos, ouça a música, sinta a vibração, é só pela vida, mas religião é minha relação particular com Deus”.

Israel

Lá os metalheads não lidam tanto com o ódio por parte do governo, mas sim com o ódio que outros sentem deles. O heavy metal tornou-se uma escapatória, uma forma de ensinar a galerinha nova sobre os horrores do holocausto incorporando sua própria história controversa no estilo musical.

Emirados Árabes

Essa foi uma das passagens do documentário que mais me surpreendeu. A última parada do documentarista e sua equipe foi em Dubai, onde aproveitaram a realização do “Desert Rock Festival”, para conversar com metalheads de outros países, como no caso, o Irã. Sam conhece metaleiros iranianos, que lhe relatam a repressão sofrida por parte da polícia da região, que proíbe a música, as camisetas de bandas, os cabelos compridos e qualquer coisa relacionada com o metal, pois acreditam ter ligação com satanismo. Mas em países como o Irã, a entrada da cultura ocidental não existe.

Dubai, Emirados Árabes: país tem uma grande para a cultura ocidental

Dubai, Emirados Árabes: país tem uma grande abertura para a cultura ocidental

Perto da coibição sofrida pelos iranianos, que chegaram a ser presos, agredidos e até forçados a cortarem seus cabelos, chega a parecer bobagem o que os fãs do gênero enfrentam por causa do preconceito aqui no ocidente.

É extremamente interessante como cada sociedade insere no metal uma parte de sua história. No Japão, por exemplo, as pinturas no rosto, como as dos integrantes do Kiss, lembram muito o teatro kabuki, da cultura nipônica. Na china, o cabelo comprido dos metaleiros é associado aos guerreiros. É como se cada cultura traduzisse para si o que espera e quer que o metal signifique.

É óbvio que há Heavy Metal em lugares que sequer foram mencionados, como países do continente africano, assim como existe muito mais bandas em cada país visitado do que as mostradas no documentário. Temos que levar em conta que nenhum filme conseguirá mostrar em sua totalidade tudo o que o tema representa. Mas se eu fosse você não deixaria de conferir essa joia de documentário.

Inteligente, conciso e sim, emocionante. Não somente fãs de heavy metal devem assistir Global Metal, mas, principalmente, todos aqueles que criticam, julgam, sem ao menos ter o mínimo de conhecimento do que esse estilo musical significa.

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Pitaco da blogueira: Realmente cheguei à conclusão de que o heavy metal está presente no mundo inteiro, é conhecido em cada cantinho desse planeta. Onde quer que você vá, sempre vai ter alguém vestindo uma camiseta do Iron Maiden.
Seria a Donzela de Ferro a banda mais conhecida e com  mais fanáticos nesse mundão? rsrs

Confira abaixo o trailer de Global Metal:

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